OPINIÃO
PESSOAL
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Abuso
de uns, omissão de outros
* Por Por Percival Puggina
Quase ninguém gosta de ser avaliado. Há quem
fuja até de exames médicos imprescindíveis.
Estudantes detestam provas. Se você quer ver
um sindicato de professores rodando a baiana basta
sugerir uma avaliação sistemática
da qualidade do ensino. No setor público, criam-se
Planos de Cargos e Salários para carreiras que
utilizam formulários de avaliação
periódica, mas não se tem notícia
de que alguém tenha sido demitido por incompetência.
Aceita-se de bom grado prêmio por elevado desempenho,
contanto que não haja punição
ao mau desempenho e não se sustem os progressos
automáticos nas carreiras.
Em 1996, foi instituído o Provão, com
o objetivo tornar conhecido o nível e estimular
a qualificação das instituições
de ensino superior do país através de
provas aplicadas a seus alunos, por método de
amostragem estatística. A coisa não funcionou
devido ao boicote de estudantes e professores. Tratava-se,
então, de intolerável medida em favor
da competição, coisa de FHC, aquele neoliberal
como se sabe. No governo Lula, o Provão foi
substituído pelo Enade - Exame Nacional de Desempenho
de Estudante. E então, malgrado protestos da
UNE e de alguns professores, acabou sendo levado a
sério e vem alcançando seus objetivos
no estímulo à qualificação
dos cursos superiores.
No último dia 9 de novembro foi realizado o
exame de 2008. Uma das questões comuns a todos
os cursos informava que os países da União
Européia estavam sistematizando suas leis de
proteção às mulheres. Em seguida,
apresentava aos alunos alternativas sobre temas que,
a seu juízo, deveriam estar necessariamente
contidos nessa legislação. A alternativa
considerada como certa era esta: “violência
doméstica e aborto”.
O gestor público que aprovou o conteúdo
dessa prova e o respectivo gabarito incorreu em incitação
ao crime e estabeleceu, por outro lado, no ambiente
acadêmico, o delito de opinião. De fato,
dado que aborto é crime, determinar com a segurança
de um gabarito oficial que o aborto é uma coisa
boa para as mulheres, constitui estímulo ao
cometimento desse mesmo crime. E, considerando que
a questão tem conteúdo opinativo, discordar
do que pensa a autoridade pública nessa matéria
foi conduta punida com redução de nota
no exame. Incitação ao crime e censura à opinião
divergente.
Muitos abortistas são serpentinos e incansáveis
na sua malignidade. Derrotados em votações
no Congresso e em todas as pesquisas de opinião
pública, colocam seu desejo de sangue inocente
acima da democracia e do império da lei. A pergunta
e a resposta têm, claramente, o intuito de impor
opinião onde ela não cabe, dada a impossibilidade
de vencer o debate onde ele pode e deve ser estabelecido. É lamentável
que, decorrida uma semana do exame, nenhuma autoridade
tenha intervindo no assunto, não apenas para
anular a maliciosa questão, mas para responsabilizar
quem a aprovou. * Escritor.
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“Luta
contra pedágio continua
e tem adesão
dos paranaenses”
* Por Luiz Cláudio Romanelli
Dezembro já está chegando e as concessionárias,
sem qualquer tipo de escrúpulo, vão vir
novamente com os pedidos de aumento do pedágio.
Vão querer 8%, 9%, 10% de aumento e pleiteiam
uma tarifa de R$ 12,50 para carro de passeio. Um verdadeiro
absurdo. Um assalto ao bolso do paranaense. Eu repito
reiteradamente: são R$ 6,5 bilhões arrecadados
em 10 anos de pedágio e apenas 40 quilômetros
de rodovias duplicados dos 2,5 mil pedagiados.
O Governo do Estado, através do DER (Departamento
de Estradas de Rodagem), evidentemente, vai negar os
pedidos das concessionárias. Essa é a
nossa luta. A nossa, do lado do povo, barrando os abusivos
aumentos e cobranças. As concessionárias,
junto com a suas bancas de advogados, pleiteando os
aumentos e, muitas vezes, os conseguindo na Justiça.
A luta não é de hoje. Sou um dos poucos
deputados a votar contra a lei que implantou esse modelo
perverso de pedágio no Paraná. Isso em
dezembro de 1995. Os partidos que apoiaram Requião
para governador na eleição em 1998, protocolaram
durante a campanha um documento no qual, pode-se dizer,
escreviam a história antes que ela acontecesse,
taxando de puramente eleitoreira a diminuição
das tarifas e vaticinando que elas voltariam a subir
tão logo terminasse a campanha. Foi exatamente
o que aconteceu.
Passados já quase seis anos do governo Requião,
a luta se mantém, o que significa que o pedágio
continua prejudicando os paranaenses. Mas, ela não
tem sido inglória. Vencemos várias batalhas.
Cito a decisão do Tribunal Regional Federal
(TRF)- 4ª Região, em Porto Alegre - determinando
o fechamento da praça de pedágio em Jacarezinho,
no Norte Pioneiro, por estar situada no perímetro
urbano.
Essa decisão, acredito, cria jurisprudência
e para o fechamento de outras seis praças, em
Arapongas, Jataizinho, Mandaguari, Porto Amazonas,
São José dos Pinhais e Lapa, todas instaladas
nos respectivos perímetros urbanos, dividindo
os bairros e prejudicando os moradores. Essa posição é encampada
pelo Fórum Popular contra o Pedágio.
No caso da praça da Lapa, situada na BR-476,
a ação está na pauta de julgamento
do TRF. Em dezembro de 2005, o juiz federal Friedmann
Wendpap suspendeu a cobrança do pedágio
naquela praça, atendendo a uma ação
do Ministério Público Federal, que julgava
ilegal a concessão de mais 83 quilômetros
da rodovia à Caminhos do Paraná sem processo
licitatório. Essa é apenas uma das muitas
irregularidades permitidas pelos contratos do pedágio.
A situação em todos os municípios
citados é semelhante à de Jacarezinho,
mas há uma particularidade no caso da praça
de São José dos Pinhais, na BR-277, explorada
pela Ecovia. O juiz federal João Pedro Gebran
Neto determinou que a concessionária cobre apenas
uma tarifa poor mês dos moradores dos bairros
Lavrinha e Olaria, que utilizam apenas um pequeno trecho
da rodovia e, mesmo assim, eram obrigados a pagar a
tarifa sempre que passavam pela praça.
O Fórum está incentivando os moradores
dessas cidades a coletar assinaturas e entrar com ações
na justiça. Ao mesmo tempo, o Paraná está sendo
um exemplo para a luta contra o pedágio em outros
estados. Já há ações semelhantes
em Piuí (MG), Teresópolis (RJ), Botucatu
(SP) e Porto Alegre (RS).
Por fim, o Fórum prepara um projeto de lei
de iniciativa popular, para o qual pretende colher
1,6 milhão de assinaturas, estabelecendo uma
série de condições para a cobrança
de pedágio nas rodovias brasileiras: só poderá existir
nas rodovias particulares, e não nas públicas;
só poderá ser cobrado quando existir
rodovia paralela, pública e gratuita; fica proibido
no perímetro urbano das cidades; e ficam isentos
caminhões que transportem alimentos, carros
oficiais, ambulâncias e carros de emergência
similares, além dos veículos emplacados
na cidade onde se encontra a praça coletora.
Portanto, há vitórias. E o simples fato
de essa luta continuar acesa mostra que ela é justa.
Considero que nosso governo está cumprindo,
e bem, seu compromisso. O pedágio, da forma
como foi implantado no Paraná, caminha aceleradamente
para seu próprio fim.
*Advogado e deputado estadual e vice-presidente
do PMDB do Paraná. |
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Anjos do Cotidiano
* Por Adilson Luiz Gonçalves
Existem pessoas que são capazes de recitar
obras-primas inteiras ou explicar cada frase ou pensamento
dos grandes filósofos; mas, apesar da cultura
e inteligência, que ostentam, são incapazes
de expressar uma única frase sua, que sirva
de conforte ao próximo, que às vezes
nem reconhece como semelhante, em momentos de real
fragilidade emocional.
De que adiantam discursos e sermões, plenos
de impostação, citações
e dialética, se vazios de sentimentos honestos
e sinceros?
Mas também há pessoas capazes de entender
o sofrimento dos outros e consolá-los, de esquecer
um pouco de si próprias para solidarizar-se.
Infelizmente, insensibilidade, alienação
e submissão a valores impostos, impedem de reconhecermos
essa benção, negando-lhes uma vida mais
leve e feliz. Alguns confundem esse excesso de humanidade
e altruísmo com fraqueza ou falta de ambição,
da qual tiram proveito inescrupuloso.
Não é à toa que existem tantos
santos, vítimas dos erros da humanidade. Eram
todos humanos; sofreram pelas mãos dos que se
sentiram incomodados, ameaçados ou atraídos
de forma torpe pela sedução angelical
de suas almas. Para canonizá-los é necessário
um longo processo, mas às vezes basta olhar
ao redor para constatar a presença de novos,
entre nós, que com uma simples palavra são
capazes de operar milagres anônimos. E tudo sem
exigirem nada em troca!
Esses santos do cotidiano não se consideram
diferentes e são naturalmente bons. Não
fazem culto a si próprios, nem terão
seus nomes registrados em ruas e praças; mas
são pródigos em sua infinita capacidade
de amar, mesmo que esse amor não seja correspondido.
Tenho a felicidade de conviver com algumas dessas
pessoas. Muitas vezes sinto-me fascinado e indigno
ao observar seus gestos, atitudes e palavras. Sinto-me
abençoado por tê-las tão próximas
e por ter a oportunidade de tentar retribuir um mínimo
do enorme bem que me fazem, apenas por existirem.
Se não podemos servir-lhes de bálsamo
e aconchego, que ao menos nosso egoísmo, arrogância,
inveja, covardia, preconceitos, frivolidades, obsessões
e culto às aparências não lhes
sejam pedras no caminho. Quem sabe, assim, tenhamos
menos santos mártires – vítimas
da estupidez de seus semelhantes - e uma humanidade
mais santa, onde a língua dos anjos e as dos
seres humanos seja uma só: o esperanto do amor!
* Mestre em Educação |
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A sensibilidade do poeta
* Faustino Vicente
Consagrada como uma das sete artes tradicionais, a
poesia tem no poeta o agente que faz da palavra a sua
mais nobre matéria-prima. A verdade é que
o poeta é muito mais que um sonhador ou vendedor
de emoções e de paixões, mensageiro
da nostalgia e da alegria, mas alguém que pode
dar uma lição exemplar ao mais racional
dos segmentos – o sistema financeiro internacional.
Entre os escultores de versos, o nosso destaque vai
para Paulinho da Viola, poeta, compositor e músico
dos mais brilhantes do Brasil. Em Argumento, letra
e música de sua autoria, vamos encontrar um
alerta aos Governantes, à classe empresarial
e à cada um de nós; “Faça
como o velho marinheiro/que durante o nevoeiro/ toca
o barco devagar”.
A maior potencia (EUA) econômica, financeira
e bélica do planeta,com cerca de 25% do PIB
mundial,vacila, balança e revela o seu “calcanhar-de-aquiles”.
De Wall Street, epicentro da crise, partiu o mais furioso “tsunami
financeiro” das últimas décadas
que, em segundos, varreu o planeta levando pânico à todos
os Ministros de Finanças. Instalada a incerteza,
palavra detestada pelo mercado, a perspectiva é que
os seis bilhões e seiscentos milhões
de habitantes da terra terão que pagar a conta,
pelo erro de gestão de alguns banqueiros. Socializar
os prejuízos é humilhante, e ver o capitalismo
sendo salvo pelo socialismo é intrigante.A tão
cortejada globalização transformou o
mundo dos negócios numa jogada de xadrez – movimenta-se
uma única peça e mexe-se no jogo todo.
Com menor volume de dinheiro no mercado global, maior
taxa de juros, seletividade rigorosa na concessão
de empréstimos, redução de investimentos
por parte das empresas, queda de consumo, menor PIB
mundial, mais desemprego, lamentavelmente, haverá aumento
da pobreza mundial. Reverter essa tendência é questão
de competência. O crédito,que irriga o
mundo dos negócios, está para o desenvolvimento
(econômico e social) assim como o sangue está para
o corpo humano. Nem as lições do passado,
(1929/1930-EUA), o domínio das mais avançadas
teorias econômicas, as incríveis descobertas
científicas e o espetacular desenvolvimento
tecnológico foram barragens eficazes para conter
esse “tsunami financeiro”,provocado, irresponsavelmente,
por falha humana.
O que nos deixa perplexo é saber que apesar
do elevado grau de inteligência, formação
acadêmica nas melhores universidades do mundo,
longos anos de experiência e salários
milionários, banqueiros norte-americanos tenham
cometido esse gravíssimo erro de gestão.
Essa ocorrência contrasta com os procedimentos
da Diretoria de recursos humanos das grandes corporações,que
exigem: capacitação técnica, conduta ética,
competências ecléticas, visão sistêmica
do negócio em que atuam,versatilidade,criatividade
para reverter resultados negativos,gerenciamento interativo,entre
outros. Num desses pré-requisitos os executivos
falharam.
A intervenção do Estado (teoria keynesiana)
levará os países a destinarem alguns
(?) trilhões de dólares, para resgatar
a confiança nos bancos e evitar a redução
drástica do ciclo produtivo. Quais seriam os
benefícios, para a população de
baixa renda, se esse valor (astronômico) fosse
investido em projetos sociais?
Erradicação
da fome, que atinge mais de um bilhão de pessoas,
geração de renda para milhões
de desempregados, prestação de serviços
públicos de elevada qualidade e a eliminação
da mais aviltante das violências – a miséria.
A crise torna-se real quando sai do econômico
e vai para o psicológico, deslocando-se da Bolsa
de Valores para o bolso dos consumidores - a parte
mais sensível do corpo humano. Encerramos com
o pensamento do célebre prosador,político
e orador romano, Cícero (106-43 a.C): “Vamos
equilibrar o orçamento, proteger o tesouro,
combater a usura e reduzir a burocracia. Caso contrário...afundaremos
todos”.
* Consultor de Empresas e de Órgãos
Públicos
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O "x" da questão
* Por Adilson Luiz Gonçalves
Volta e meia, eu ouço discussões sobre
quem exerce o papel mais importante em relação à perpetuação
da espécie humana. Afinal, é o homem
ou a mulher?
"O homem define o sexo!"... "Mas é a
mulher que concebe e gesta!". "Os espermatozóides
masculinos são mais rápidos!" ..."Mas,
os femininos são mais resistentes!". "O
homem tem o 'desbravador': o falo!" ... "Que,
de vez em quando, não 'diz' nada...". "As
mulheres ainda esperam o príncipe encantado!"... "Só estou
vendo o cavalo...".
Francamente, não há muita lógica
em definir quotas num relacionamento que, por princípio,
subverte a matemática! Afinal, nesse caso, um
mais um é igual a três, no mínimo.
Mas, como todo o brasileiro entende de futebol e sexo,
gostaria de expressar a minha opinião sobre
o tema:
Inicialmente, a relação entre eles é,
por princípio, sexual! Mas, para quem insiste
em definir a posição exata de um e outro,
posso afirmar que ela é absolutamente relativa.
Afinal, ora se está por cima, ora por baixo,
ora ao lado. Aliás, é possível
visualizar a relação por qualquer ângulo
ou perspectiva.
Não concluí nada?
Bem, para os que insistem dimensionar diferenças,
podemos prosseguir a análise, lembrando que
tudo depende da anatomia das partes envolvidas:
O tamanho da participação do homem pode
ser maior ou menor. No caso da inseminação
artificial, ela não passa de uma finíssima
agulha de seringa. Mas, de um jeito ou de outro, é inegável
que o homem entra com alguma coisa. Mas se o homem
investe, é a mulher quem cuida da evolução
do investimento. Alguns minutos de prazer, contra nove
meses de um prodígio, que prossegue por toda
a vida!
Ambigüidades à parte, a geração
de um filho é um ato tão divino, e envolve
tanta responsabilidade e compromisso, que não
pode – e não deve – ser assumida
sem doses maciças de carinho, amor e paixão,
antes, durante e depois!
Não importa a quota orgânica ou genética
que caiba a cada um no processo de geração.
O que realmente vale é o como cuidaremos e educaremos
esse novo ser vivo.
Quando partilhamos com uma segunda vida a possibilidade
de gerar uma terceira, temos que estar prontos para
assumir iguais quotas de comprometimento!
Não há dúvida de que o enjôo
e a dor são femininos, mas é imprescindível
compartilhar cada momento. O homem também precisa
estar "grávido" e ambos precisarão
aprender a ser pais e mães, conforme o momento.
Fazer filho? Qualquer um, biologicamente apto, faz!
Mas assumir a paternidade e a maternidade, natural
ou adotiva, isso, infelizmente, ainda é para
poucos.
* Mestre em Educação |
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O empresariado e a crise
* Por Dirceu Cardoso Gonçalves
A fusão Itaú-Unibanco, além de
gerar o maior banco brasileiro, superando até o
oficial Banco do Brasil, que luta internamente para
se safar das ingerências político-governamentais,
deflagrou o saudável processo de modernização
no setor financeiro. Outras instituições
já se preparam para reagir à meganegociação
dos Setubal e Moreira Salles, para também continuarem
competitivas. E fazem isso diante dos bancos internacionais
que já chegaram ao mercado local.
O processo - que deverá se estender também
a outros setores da economia - segue a uma tendência
mundial e demonstra a maturidade do empresariado nacional
que, mesmo diante da crise mundial anunciada em prosa
e verso e explicitada no comportamento do câmbio
e das bolsas de valores, ousa empreender e modernizar
seus negócios. Espera-se que o governo, cuja
participação mais significativa na economia
tem sido a cobrança de altos impostos e a prática
de uma política de juros elevados, faça
pelo menos a sua parte e conduza a política
econômica oficial de forma a apoiar a iniciativa
privada e a deixá-la trabalhar e cumprir sua
vocação de alavancagem ao desenvolvimento
nacional.
Com todas as dificuldades e incertezas econômicas
pré e pós Real, o empresariado brasileiro
nunca deixou de investir e fortalecer seus negócios.
Desde a abolição da escravatura, há 130
anos, passando pela profissionalização
da agricultura, instalação da indústria
extrativista, de bens de consumo e de alta tecnologia,
podemos identificar uma grande caminhada onde os brasileiros
conseguiram inserir nosso país no mercado internacional.
Hoje temos as mais importante construtoras atuando
mundo afora, a indústria automobilística
que disputa mercado com os tradicionais centros do
ramo, a grande e controversa indústria energética
(petróleo, etanol e biodiesel) e os nossos empresários
do setor financeiro preparam-se para a grande arrancada
internacional, movidos pelas oportunidades da globalização.
É
comum dizer que o Brasil caminha para um grande futuro,
independentemente de quem esteja no governo. A prática
e o desencanto gerado por atitudes dos governantes
e seus circundantes muitas vezes levam a esse raciocínio
pessimista. A classe política precisa adotar
medidas concretas para provar que essa "verdade
popular" não chega a ser uma verdade.
Se, de um lado, temos uma importante economia
gerada e administrada pelo mundo dos negócios, é bem
verdade que possuímos uma dívida social
astronômica com a própria população.
Um país com todo esse desempenho econômico
não pode continuar assistindo passivamente a
seus cidadãos morrerem sem atendimento nas portas
dos hospitais, escolares diplomados sem saber ler e
escrever, o desemprego em altos níveis e a segurança
pública perdendo terreno para o crime organizado.
Precisamos encontrar um meio de, também, fundir
a competência e as virtudes do meio empresarial
com a inoperância e a falta de ação
do setor público para, dessa fusão, se
possível, sacar a grande nação
que sempre sonhamos.
* Diretor da Associação de Assist. Social
dos Policiais Militares de São Paulo.
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Desmascarando a Depressão
* Por J. Antonio Sespedes
Iniciando a reflexão é preciso ressaltar que, tristeza e sofrimento
não devem ser confundidos com depressão, na verdade, estes sentimentos
são intrínsecos a cada ser. Até Jesus teve seus momentos
de dor, e como os teve...
O avanço da ciência na complexidade da
vida equacionou problemas que em épocas passadas
nem em sonho seria possível vislumbrar. O extraordinário
desenvolvimento da indústria converte a necessidade
em fonte de prazer, e para lubrificar as engrenagens
do lucro, desenvolve mimos encantadores, porém,
que nos condicionam, a ponto de cairmos na ilusão
que a vida é um enorme shopping center onde
tudo pode ser comprado, e que para todos os sintomas
sempre haverá uma bula amiga. A lei de causa
e efeito ficou obsoleta perante o modernismo e a superficialidade
dos relacionamentos.Tendo o poder como pivô,
a superioridade, quer no âmbito financeiro, intelectual
, erudito, político e tudo que se possa imaginar,
transforma o homem num deus arrogante e pretensioso,
a se julgar acima do bem e do mal. Diante da prepotência
vivenciada em nossos dias, entristecer, sofrer e se
abater perante uma dificuldade, uma separação,
ou outra causa humana é sinônimo de fraqueza
e de fracasso, e ninguém quer assumir isso publicamente,
afinal, o que importa é manter a risada nos
lábios, mesmo quando as lágrimas encharcam
o coração.
A cada instante, ondas negativas são emitidas
em todos os níveis do comportamento e o resultado é desastroso.
Traições, fraudes, calúnias, omissões,
egoísmo, e todos os atos que causam os infortúnios
e o sofrimento de muitos, e que em última instância
recairá sobre seus autores. A infelicidade,
aos poucos, necrosa a alma que morre em vida, abrindo
um vazio, um nada... E aí vem a depressão.
Não serão os antidepressivos, tampouco,
os livros, nem os psicanalistas ou então, consultando
os milagreiros de plantão que o sujeito sairá dessa.
Como o próprio nome já diz :a doença
da alma, ela se processa na esfera espiritual, imaterial,
onde as fórmulas humanas não têm
acesso, conforme falou Einstein: “do mundo dos
fatos não conduz nenhum caminho para o mundo
dos valores; porque estes vêm de outra região” .
A depressão é uma chaga que adoece o
espírito e seu efeito contamina o físico.
A cura está na depuração de tudo
que for artificial e contrário à vida. É preciso
também se libertar das crenças equivocadas,
enraizadas no subconsciente, e saldar os débitos
com a sociedade contraídos ao longo do percurso.
Na prática, o indivíduo deverá ser
realista e ter atitudes honestas para consigo e os
demais, em outras palavras: tirar a máscara.
Parar de esperar cair do céu a solução
dos problemas. As reais causas da infelicidade, só poderão
ser vencidas pela própria pessoa. Agindo dessa
forma, a depressão será desmascarada,
e toda orientação vinda de terceiros
e a eficácia dos medicamentos, se necessários,
cumprirão o papel de coadjuvantes.
* Autor do livro: Depressão, um beco com saída. |
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Bilhete
aberto ao presidente da OAB
* Osmann de Oliveira - osmanndeoliveira@terra.com.br
Meu caro Doutor Alberto de Paula Machado. O bilhete é sempre
uma forma familiar de comunicação. Dele
se serviu Jânio Quadros e dele se utilizaram,
também, outros Presidentes a, até, Imperadores.
Sigo os exemplos para transmitir-lhe o seguinte: milhares
de causídicos andam reclamando pelo modo desrespeitoso
como vêm sendo tratados pelas autoridades. A
gente conversa nos corredores do Fórum, nas
salas e nas bibliotecas, com profissionais militantes
e ouve de todos muitas queixas contra Juizes. É bem
verdade que os magistrados têm de dedicar-se
aos seus muitos afazeres. Despachar, sentenciar, presidir
audiência, expedir mandados e supervisionar Cartórios,
não são coisas fáceis, mas todos
contam, hoje, com a colaboração de excelentes
assessores e estagiários. Duro era á trinta
anos, ao tempo de Alceste Ribas de Macedo, Joaquim
Penido Monteiro, Lauro Fabrício de Melo Pinto,
Ariel Ferreira do Amaral, José Pacheco Júnior
e outros mais que não dispunham de funcionários
e nem de locais adequados. Por exemplo o Fórum
Cível era no edifício Demeterco, lá em
cima, no último andar e o Fórum Criminal
era na rua Mal. Floriano, na atual “Casa Rosada”,
onde se encontram divisões do Ministério
Público e, mais tarde, em acanhado imóvel
da rua Visconde do Rio Branco, esquina com a rua Emiliano
Perneta. Mas os juizes se davam bem com os advogados.
A família forense era uma só. Agora,
entretanto, as coisas mudaram. Parece que alguns prebostes,
nome que se dava aos antigos magistrados castrenses
por serem prepostos do soberano, reuniram-se alhures,
numa espécie de conciliábulo secreto
e saíram do encontro cheios de cismas e dispostos
a impedir contactos com o mundo exterior. O Poder Judiciário
não é confraria e nem os seus honrados
membros pertencem a um monastério trapista e
solitário. Evitam receber e falar com advogados
deslembrados, apenas, de que estes, por imposição
legal, são tão indispensáveis à Justiça,
como eles próprios, conforme o artigo 2º.,
da Lei nº.8.906/94.
Não se entende, não se compreende, causa perplexidade o que se
vê, o que se sente e o que se vive. Alguns causídicos, mesmo sabendo
que você bem representa a instituição, perguntam aonde
está a Ordem? Ás vezes isso, até, se justifica, independente
de saber-se que a AOB que derrubou o arbítrio, sepultou a ditadura,
edificou-se como uma espécie de muralha contra o arbítrio, sofre,
na atualidade, os rigores daquilo que mais combateu: o desacato, o capricho
e a violência de uns poucos contra o direito de muitos ! Meu sempre estimado Presidente, Alberto de Paula
Machado, quase eu ia esquecendo um outro fato que
ultraja, porque agride; injuria e ofende a dignidade
da classe, é a
submissão do advogado à revista física quando se dirigi
a um dos estabelecimentos penais do Estado. Contrariando a lei na lei nem os
presídios, nem as delegacias, nem os Fóruns, possuem salas para
que os profissionais possam dialogar com os seus clientes. O muito que se permite é que
o profissional converse com os seus constituintes através de gradis
colocados estrategicamente no quadrante e sob as vistas de guardas armados
e microfones imperceptíveis. Essa cautela toda pode ser necessária a indivíduos que, talvez,
não tenham sabido respeitar a nobre profissão, mas isso não
deve ser generalizado. O advogado goza de prerrogativas decorrentes do serviço
público que presta !
Aceite o meu abraço maior,
Osmann de Oliveira |
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É só assoprar...
* Por Elias Mattar Assad Mozar Costa de Oliveira, doutor em direito pela USP
e professor da PUC (Santos - SP) escreveu sobre "A
validade constitucional das normas da lei 11.705, de
10/6/2008 - (in espaço acadêmico, www.abrac.adv.br).
A razão do estudo, segundo o autor, nasceu pela
polêmica de ser ou não havido como inconstitucional,
ou ao menos como excessivamente rigoroso, o Código
de Trânsito Brasileiro (L. 9.503, de 23 de setembro
de 1997), no tocante às alterações
trazidas pela "lei seca". oncluiu o mestre
que "não há a inconstitucionalidade..." e "o
ato administrativo do exercício de polícia é inerente à função
estatal a que todos, sendo ele exercido de acordo com
a lei, têm de sujeitar-se para ser alcançado
o bem público na realidade dos fatos humanos.
A exigência feita pelo funcionário público
competente a quem está a dirigir automóvel
sob suspeita fundada em fatos, de estar sob o efeito
de álcool ou substância de efeitos análogo
s, é exercício de pretensão jurídica.
A resistência a esta pretensão não é crime,
mas é ilícito administrativo e prova indiciária
de crime do trânsito. A nossa lei não
pode qualificar-se sociologicamente como draconiana,
ou juridicamente
inconstitucional..." Com base nesse trabalho publicado no site da Associação
Brasileira dos Advogados Criminalistas, recebi correspondência
(com pedido de preservação da identidade),
onde o indignado e culto leitor assevera: "...Creio
estarmos no raiar de uma grande revolução
comportamental onde o povo, por seus representantes,
está impondo sobriedade aos motoristas da nossa
República. Todas as pessoas que exercem posições
de relevo em nossa sociedade possuem carteira de habilitação.
Assim, poderão surgir tragicômicas situações
como um médico ser autuado no trânsito por
acusação e marca do "bafômetro",
e se descobrir posteriormente que saia ele de um hospital
onde acabara de fazer uma cirurgia, com morte do paciente
por erro médico. Entre milhares outros que a imaginação
possa nos permitir, um jurado que acabou de participar
de um julgamento criminal em que o réu foi condenado
ou absolvido, com diferença de apenas um voto...
O médico responderia por homicídio doloso
eventual com relação a sua vítima
na mesa de cirurgia? O júri seria anulado no
outro exemplo? Mais correto então, que adotássemos uma
postura única onde a nova tecnologia do "bafômetro" se
aplicasse indistintamente. Imaginemos como seria em um
hospital onde todos os enfermeiros, médicos, pessoal
técnico administrativo, antes de iniciarem suas
atividades, fossem obrigados a soprar a maquininha...
Que tal também, a mesma principiologia aplicada
nas repartições públicas em geral,
como quartéis, delegacias de polícia, câmaras
de vereadores, assembléias legislativas, câmara
dos deputados, senado, tribunais de contas, conselho
de contribuintes, judiciário (todos os que nele
atuam), executivo, religiões, iniciativa privada,
nas escolas todas, inclusi ve ensino superior, etc. Registre-se
que, estatutos de funcionalismo e a CLT de longa data
contém previsão exigindo a sobriedade das
pessoas por eles regidas, ou seja, se o problema residia
no detalhe de que não se tinha como aferir com
precisão, isto faz parte do passado... Vamos invocar
as mesmas razões de segurança que inspiraram
exigências de portas giratórias, com detectores
de metais em vários recintos (inclusive judiciários),
para sustentar o novo uso da miraculosa "maquininha",
para aferir o grau de sobriedade das pessoas em seus
trabalhos. É só assoprar..."
*Presidente da Associação
Brasileira dos Advogados Criminalistas.
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Planejamento
da sucessão
de lula já começou
* Por Antonio Carlos Pannunzio
A estrutura constitucional brasileira é bastante
sofisticada. Nela, estados e municípios partilham
a condição de entes constitutivos da
União. Muito mais do que entidades administrativas,
uns e outros têm suas competências e recursos
definidos no texto da Constituição e
são dotados de autonomia e auto-organização.
Essas características reforçam a possibilidade
de termos, nos níveis federal, estadual e municipal,
arranjos político-partidários de poder
e governabilidade não necessariamente coerentes
entre si.
Por conta desses diferentes entendimentos, as atenções dos observadores
políticos, neste momento, acham-se focadas no PMDB. Integrante da base
governista no Congresso, o que não impede que suas bancadas na Câmara
de Deputados e do Senado abriguem parlamentares que fazem oposição
ao executivo, aquele partido utilizou com inegável competência
a possibilidade de coligar-se, nas recentes eleições municipais
ora com aliados, ora com adversários do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Com essa divisão das fichas partidárias em apostas
favoráveis e contrárias ao governo federal, o PMDB elegeu prefeito
do Rio de Janeiro o ex-deputado federal Eduardo Paes e vice-prefeita de São
Paulo a engenheira Alda Marco Antônio. O resultado alcançado na eleição carioca dificilmente
pode ser apresentado como uma vitória do presidente da República,
apesar do seu ostensivo apoio ao vencedor. É improvável que o
relacionamento do chefe do governo com o prefeito eleito Eduardo Paes vá além
da cordialidade formal. Na CPI dos Correios, o eleito, à época
deputado federal pelo PSDB, foi um dos mais severos críticos do presidente.
Quem emerge das urnas cariocas com perfil de grande vencedor é, na realidade,
o governador Sérgio Cabral (PMDB) que, com os resultados obtidos, se
credencia como nome a ser obrigatoriamente ouvido na definição
do quadro político para 2010. Em São Paulo, inversamente, o presidente sofreu sua principal derrota
e esta deve render-lhe, ainda, farta colheita de dissabores. Isso fica patente
em recentes manifestações do ex-governador Orestes Quércia.
Artífice da costura de que resultou o apoio do PMDB ao prefeito reeleito
Gilberto Kassab (DEM), Quércia disse, com todas as letras que não
reivindica cargos para o seu partido na administração paulistana.
A integração de peemedebistas à equipe de Kassab é algo
a ser acertado exclusivamente entre o prefeito e os eventuais convidados. O
interesse do ex-governador está focado em 2010. Ele defende o apoio
do PMDB à candidatura do governador José Serra (PSDB) à presidente
e opõe-se radicalmente a uma aliança com o PT. E acrescenta que,
se a aliança com PT vier a consumar-se em nível nacional, a despeito
de sua oposição, a seção paulista do partido não
a acompanhará. Outra coligação de sucesso entre o PMDB
e o PSDB, num dos pólos políticos de maior importância
do país, ocorreu no segundo turno da eleição para a Prefeitura
de Porto Alegre e resultou, igualmente, em inequívoca derrota do presidente
Lula. O apoio da governadora Yeda Cruzius (PSDB) foi decisivo para assegurar
a reeleição do prefeito José Fogaça (PMDB), que
venceu tranquilamente a deputada federal Maria do Rosário (PT). Esses dois episódios sinalizam que, em 2010, o PMDB terá no PSDB,
e não no PT, seu melhor parceiro. Considerando-se o peso das bancadas
no legislativo federal e o entrosamento alcançado pelos dois partidos,
a aliança entre eles pode se revelar, ainda em 2009, a maneira mais
eficiente de o PMDB fazer valer sua legítima pretensão de eleger
o deputado federal Michel Temer (SP) como presidente da Câmara. * Deputado federal pelo PSDB-SP e membro da
Comissão
de Relações Exteriores e de Defesa Nacional
da Câmara. |
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Carta Brasil 2008 de Direitos Humanos
* Por Elias Mattar Assad
Entre os dias 21 e 26 de setembro últimos,
no Parque Anhembi (SP), tive a honra de figurar como
coordenador científico do "II Congresso
Internacional de Direitos Humanos" e juntamente
com José Gregori, Ricardo Castilho, Sérgio
Resende de Barros, subscrevemos a "Carta Brasil
2008". Ei-la em síntese: "Talvez a
maior afronta à humanidade seja a notícia,
divulgada pela ONU no último dia 17 de setembro,
de que o número de pessoas com fome no mundo,
em um ano apenas, subiu em 75 milhões. Eram
850 milhões de famélicos em 2007, e agora
são 925 milhões. São sete países
com a população igual a de Portugal,
que não têm o que comer. É quase
um terço de um país como o Brasil, desnutrido
e triste.
Alegadamente, grassa a fome por causa da
disparada dos preços de alimentos, no mundo
inteiro. É o que afirmou em Roma o diretor da
FAO Organização das Nações
Unidas para a Alimentação e a Agricultura,
Jacques Diouf. Mas engana-se o pesquisador. Cerca de
um sexto da população mundial é privado
do mais básico de todos os direitos, que é o
da nutrição, porque as classes dirigentes
desconhecem ou, pior, desprezam o sentido do termo
humanidade. Apenas em 2006, conforme registros da OCDE
Organização para a Cooperação
e o Desenvolvimento Econômico, os países
membros dessa organização investiram
US$ 376 milhões no incentivo à agricultura,
mas gastaram US$ 1,2 trilhão, ou três
vezes mais, em armamentos. A prosseguir esse desrespeito
histórico, sem investimento de no mínimo
US$ 30 bilhões por ano para duplicarmos a produção
de alimentos, seremos muito mais do que um bilhão
de mortos de fome em 2050 (...). Sabemos que a pessoa
bem nutrida adoece menos, aprende mais, posta-se de
melhor maneira diante das opressões. Como dizia
Aristóteles, que "onde as leis não
têm força, pululam os demagogos, e o povo
torna-se tirano" (...). Não pode ser considerada igualitária
uma sociedade em que não foram atingidos os
objetivos do milênio (ONU). Não pode haver
igualdade enquanto não formos capazes de: I
- erradicar a fome e a miséria; II - prover
educação básica e de qualidade
para todos, por meio do acesso e da inclusão;
III - promover a igualdade entre os sexos e valorização
da mulher; IV - reduzir a mortalidade infantil; V -
melhorar a saúde das gestantes; VI - combater
a AIDS, a malária e outras doenças; VII
- garantir a qualidade de vida e o respeito ao meio
ambiente; VIII - prover condições de
que todo mundo trabalhe pelo desenvolvimento; (...). Winston Churchill era primeiro ministro da Grã-Bretanha
durante a Segunda Guerra Mundial. Na Conferência
de Teerã, famosa reunião de líderes
aliados para decidir o que fazer para tentar conter
o avanço das tropas do Eixo, em 28 de novembro
de 1943, Stalin e Roosevelt mostravam certo pessimismo.
Churchill, em dado momento, levantou-se e caminhou
na direção de u m tanque de peixes que
havia ali perto, segurando uma xícara de chá,
vazia. Mergulhou a xícara e se pôs a derramar água
para fora do tanque. Os participantes da reunião
pararam de falar para observar o que ele fazia. E acabaram
perguntando o que pretendia. Ele respondeu: "Vou
esvaziar o tanque." Alguém indagou, atônito: "Mas,
com uma xícara?" Churchill, sem interromper
o que fazia, respondeu: "É a arma que tenho.
Sei que é pouco, mas tenho persistência."Nós,
que somos cidadãos persistentes e conscientes,
vamos fazer a nossa parte. Prosseguiremos nossa jornada em 2010, em Salvador,
na Segunda Bienal Nacional de Direitos Humanos..." Considerando
o que foi debatido em setembro e a superveniência
da crise financeira internacional, projetando suas
repercussões catastróficas aos países
pobres, somos forçados a admitir que as previsões
de Maltus não são tão absurdas... * Presidente da Associação Brasileira
dos Advogados Criminalistas. |
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| A
grave ameaça da
majoração de insumos * Por Merheg Cachum Na presente conjuntura econômica mundial, é imprescindível
prudência na análise das perspectivas
de todos os mercados. No Brasil, é presumível
uma redução, mesmo que amena, no nível
de atividade, à medida que a dificuldade de
crédito for tendo impacto nos investimentos
das empresas e consumo por parte da população.
Obviamente, são positivas as medidas adotadas
pelo governo quanto à flexibilização
dos depósitos compulsórios no Banco Central,
numa tentativa de irrigar o crédito e manter
a economia aquecida. Lamentável, por outro lado,
a demora do ingresso desses recursos no mercado. Nesse cenário, são muito inadequadas
e nocivas quaisquer tentativas de aumento de preços,
como se observa nas indústrias de resinas termoplásticas.
Seria falta de bom senso majorar esse importante insumo
em meio a uma das mais graves crises financeiras da
humanidade e no contexto de uma curva cada vez mais
acentuada de queda dos preços do petróleo,
do qual deriva aquela matéria-prima. A hora é para que todos os agentes da economia
real mobilizem-se, por exemplo, no sentido de que o
dinheiro dos depósitos compulsórios liberados
pelo governo chegue ao chão de fábrica,
ao comércio, ao financiamento de bens de capital
e produtos de consumo. Falar em aumento de preços é tão
passível de crítica quanto a utilização
daqueles recursos para outras finalidades que não
a manutenção do crédito vivo. Mais grave ainda essa manifesta intenção
das petroquímicas de majorar as resinas, se
considerarmos o histórico recente do mercado.
O preço do insumo já havia subido, em
média, 30% em 2007 e sofreu mais reajustes este
ano. Novos aumentos, além de inadequados à previsibilidade
próxima da demanda, não se justificam
pelo aumento do valor do dólar ante o real.
A queda dos preços do petróleo (em percentual
muito superior ao da recente flutuação
cambial) já tornaria totalmente desnecessário
qualquer reajuste das resinas, mesmo se não
tivesse ocorrido o desastroso crash do subprime. Com
crise, então, falar em aumento de preço é uma
confissão de insanidade... Um novo reajuste teria impacto muito pesado no setor
de transformação do plástico,
que fornece componentes para a grande maioria dos ramos
industriais. Portanto, um eventual repasse dessa majoração
poderia ter sensível impacto inflacionário.
E isto é tudo o que o Brasil não precisa
neste momento de luta para mitigar aqui os efeitos
de uma crise nascida nas hipotecas imobiliárias
dos Estados Unidos e disseminada pelos incontroláveis
meios da globalização. O setor de transformação do plástico,
que emprega mais de 300 mil trabalhadores no Brasil,
já tem enfrentado desequilíbrios em decorrência
dos sucessivos aumentos de preços das resinas
no mercado interno, muito acima do praticado no exterior.
Um novo reajuste seria um convite ao pessimismo dos
brasileiros, levando-se em conta o impacto direto do
material plástico em numerosos segmentos da
indústria.
* Presidente da Associação Brasileira
da Indústria do Plástico (Abiplast). |
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Esperança
contra a catarata
* Por Marco Canto
Com o aumento da expectativa de vida é comum
a maior incidência de algumas doenças
próprias da terceira idade, sendo uma delas
a catarata. Essa doença é um processo
de opacificação do cristalino, que é a
lente natural do olho responsável pela focalização
da imagem na retina, que representa, por assim dizer,
o filme onde a imagem é captada.
Apesar de surgir quase sempre na terceira idade,
devido ao envelhecimento natural, em algumas pessoas
a catarata pode se manifestar precocemente. A doença
pode afetar um ou os dois olhos ao mesmo tempo e também é causada
por outros fatores como a diabetes, rubéola, tuberculose, toxoplasmose,
traumas e uso excessivo de alguns medicamentos. A catarata pode ainda ter causa
congênita e estar presente desde o nascimento.
No estágio inicial da doença, o paciente percebe apenas uma pequena
turvação, embaçamento e desconforto, que aumenta progressivamente,
impedindo a nítida visualização dos objetos e letras,
chegando à obstrução total da visão. Existe um
tipo de catarata, chamada de catarata madura, que caracteriza o estágio
em que a doença restringe até a mesmo a percepção
luminosa. Mas hoje esta modalidade é rara, embora ainda apareçam
no consultório pessoas cegas por causa da doença.
Como não existe prevenção, o único tratamento é a
cirurgia. Hoje, a cirurgia da catarata é a mais realizada no mundo e
leva apenas alguns minutos. O paciente recebe anestesia local ou tópica,
apenas com colírios anestésicos. Depois disso, por uma técnica
chamada facoemulsificação, é removida toda a opacificação
do cristalino e implantada uma lente artificial para substituir a lente natural
do olho. A pessoa é liberada para casa no mesmo dia da cirurgia, algumas
horas depois do procedimento. Na maioria das vezes, o paciente tem alguma dificuldade
visual no momento, por causa dos efeitos residuais da anestesia, mas em dois
dias a melhora visual é notada e a pessoa está pronta, e até ansiosa,
para operar o outro olho, quando necessário.
Embora a cirurgia de catarata seja eficaz, segura
e o único tratamento
disponível para a doença, alguns fatores são essenciais
para o sucesso da cirurgia. É necessário que haja uma boa relação
entre médico e paciente; deve ser realizada uma boa avaliação
pré-operatória; a indicação cirúrgica deve
ser adequada; a lente que será implantada deve ter sido calculada corretamente
bem como se de qualidade; o paciente deve seguir as orientações
do pré e pós-operatório e deve-se dispor de um local adequado
para o procedimento. Com o apoio desses fatores, o cirurgião que tiver
habilidade e experiência estará apto a realizar o procedimento
com sucesso. * Oftalmologista,
diretor da Clínica Canto
de Oftalmologia. |
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Peço
desculpas
*Por Frei Betto
Estou gravemente enfermo. Gostaria de manifestar publicamente
minhas escusas a todos que confiaram cegamente em mim.
Acreditaram em meu suposto poder de multiplicar fortunas.
Depositaram em minhas mãos o fruto de anos de
trabalho, as economias familiares, o capital de seus
empreendimentos.Peço desculpas a quem assiste às
suas economias evaporarem pelas chaminés virtuais
das Bolsas de Valores, bem como àqueles que
se encontram asfixiados pela inadimplência, os
juros altos, a escassez de crédito, a proximidade
da recessão.
Sei que nas últimas décadas extrapolei
meus próprios limites. Arvorei-me em rei Midas,
criei em torno de mim uma legião de devotos,
como se eu tivesse poderes divinos. Meus apóstolos
- os economistas neoliberais - saíram pelo mundo
a apregoar que a saúde financeira dos países
estaria tanto melhor quanto mais eles se ajoelhassem
a meus pés. Fiz governos e opinião pública
acreditarem que o meu êxito seria proporcional à minha
liberdade. Desatei-me das amarras da produção
e do Estado, das leis e da moralidade.
Reduzi todos os valores ao cassino global das Bolsas,
transformei o crédito em produto de consumo,
convenci parcela significativa da humanidade de que
eu seria capaz de operar o milagre de fazer brotar
dinheiro do próprio dinheiro, sem o lastro de
bens e serviços.Abracei a fé de que,
frente às turbulências, eu seria capaz
de me auto-regular, como ocorria à natureza
antes de ter seu equilíbrio afetado pela ação
predatória da chamada civilização.
Tornei-me onipotente, supus-me onisciente, impus-me
ao planeta como onipresente. Globalizei-me. Passei
a jamais fechar os olhos. Se a Bolsa de Tóquio
silenciava à noite, lá estava eu eufórico
na de São Paulo; se a de Nova York encerrava
em baixa, eu me recompensava com a alta de Londres.
Meu pregão em Wall Street fez de sua abertura
uma liturgia televisionada para todo o orbe terrestre.
Transformei-me na cornucópia de cuja boca muitos
acreditavam que haveria sempre de jorrar riqueza fácil,
imediata, abundante. Peço desculpas por ter
enganado a tantos em tão pouco tempo; em especial
aos economistas que muito se esforçaram para
tentar imunizar-me das influências do Estado.
Sei que, agora, suas teorias derretem como suas ações,
e que o estado de depressão em que vivem se
compara ao dos bancos e das grandes empresas.Peço
desculpas por induzir multidões a acolher, como
santificadas, as palavras de meu sumo pontífice
Alan Greenspan, que ocupou a sé financeira durante
dezenove anos.
Admito ter ele incorrido no pecado mortal de manter
os juros baixos, inferiores ao índice da inflação,
por longo período.
Assim, estimulou milhões de usamericanos à busca
de realizarem o sonho da casa própria. Obtiveram
créditos, compraram imóveis e, devido
ao aumento da demanda, elevei os preços e pressionei
a inflação.
Para contê-la, o governo subiu os juros… e
a inadimplência se multiplicou como uma peste,
minando a suposta solidez do sistema bancário.Sofri
um colapso. Os paradigmas que me sustentavam foram
engolidos pela imprevisibilidade do buraco negro da
falta de crédito. A fonte secou.
Com as sandálias da humildade nos pés,
rogo ao Estado que me proteja de uma morte vergonhosa.
Não posso suportar a idéia de que eu,
e não uma revolução de esquerda,
sou o único responsável pela progressiva
estatização do sistema financeiro.
Não posso imaginar-me tutelado pelos governos,
como nos países socialistas. Logo agora que
os Bancos Centrais, uma instituição pública,
ganhavam autonomia em relação aos governos
que os criaram e tomavam assento na ceia de meus cardeais,
o que vejo? Desmorona toda a cantilena de que fora
de mim não há salvação.
Peço desculpas antecipadas pela quebradeira
que se desencadeará neste mundo globalizado.
Adeus ao crédito consignado!
Os juros subirão na proporção
da insegurança generalizada. Fechadas as torneiras
do crédito, o consumidor se armará de
cautelas e as empresas padecerão a sede de capital;
obrigadas a reduzir a produção, farão
o mesmo com o número de trabalhadores.
Países exportadores, como o Brasil, verão
menos clientes do outro lado do balcão; portanto,
trarão menos dinheiro para dentro de seu caixa
e terão que repensar suas políticas econômicas.Peço
desculpas aos contribuintes dos países ricos
que vêem seus impostos servirem de bóia
de salvamento de bancos e financeiras, fortuna que
deveria ser aplicada em direitos sociais, preservação
ambiental e cultura.
Eu, o mercado, peço desculpas por haver cometido
tantos pecados e, agora, transferir a vocês o ônus
da penitência.
Sei que sou cínico, perverso, ganancioso. Só me
resta suplicar para que o Estado tenha piedade de mim.
Não ouso pedir perdão a Deus, cujo lugar
almejei ocupar. Suponho que, a esta hora, Ele me olha
lá de cima com aquele mesmo sorriso irônico
com que presenciou a derrocada da torre de Babel.
* Escritor, autor de “Cartas da Prisão” (Agir),
entre outros livros. |
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Quando
quem compra é a
classe C
* Por Gilberto Guimarães
A classe C, hoje, já corresponde a 46% da população.
São 86 milhões de pessoas com renda familiar
média de três salários mínimos
que, finalmente, entraram no paraíso do consumo
e já representam o grande consumidor.
Agora é a hora de descobrir o que isto vai provocar
de mudanças no mercado, nas empresas e, sobretudo,
na carreira dos executivos. Como será criar,
planejar, produzir e vender para esta população?
Quem entende de classe C? Quem conhece essas pessoas?
Até hoje, as escolas de administração,
os livros, os cases , sempre trataram das grandes marcas,
do glamour, do luxo, do status e do reconhecimento.
Fomos todos formados para trabalhar em empresas conhecidas
e reconhecidas, local e mundialmente. Aprendemos a
criar, produzir e vender uma Brastemp, não um
tanquinho; um carro do ano, não a velha Brasília
amarela; um Lancôme, um Vuitton, tudo o que representa
o sonho de consumo das classes A e B. Mas, o que sonha
a classe C? A, B ou C, seres humanos, consomem para
atender anseios e necessidades. A diferença
entre eles é que, quem tem muito, e pode, consome
para ser diferente, compra o novo, o único.
Pode arriscar. Quem tem pouco, ou não tem nada,
compra para ser igual, para ter o que todo mundo tem.
Compra o conhecido e garantido. Não arrisca,
não pode errar. Isto vale de P a P, de Pasta
de dente a Presidente. Quem tem pouco é conservador,
por necessidade e insegurança.
O certo é que as empresas, e os empresários,
que conseguiram criar e vender produtos para a classe
C, aprenderam na vida e não na escola. Não
são estrelas glamourizadas, não participam
de premiações nem de eventos importantes.
No entanto, como empresários, tiveram um tremendo
sucesso. É interessante também perceber
que, normalmente essas empresas, e esses empresários,
montam suas equipes recrutando e promovendo dentro
de si próprias, com seus velhos e fiéis
colaboradores, que normalmente foram formados no modelo
do dono empreendedor. E cada vez que uma dessas empresas
tenta trazer um mauricinho ou uma patricinha , cheios
de títulos e empáfias, promove um choque
cultural que acaba em fracasso e na expulsão
desse intruso.
Agora, o mundo mudou. O fenômeno brasileiro da
classe C é o mesmo fenômeno chinês,
o mesmo indiano e russo. O grande consumidor mundial
são os emergentes, aqueles que tinham pouco.
Agora, as escolas estão obrigadas a mexer na
sua grade curricular. Novos livros, novos temas e novos
professores. Novos textos e cases têm de ser
criados. Ainda existe muito pouca literatura sobre
como produzir, vender e agradar a um consumidor classe
C.
A velha máxima de Joãozinho Trinta pobre
gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectualR21;
R11; é muito mais engraçada do que verdadeira.
Vale para carnaval, mas não vale para o mundo
empresarial. Este mundo classe C sempre existiu, mas
estava separado do mercado de consumo pelo muro da
pobreza. Consumia migalhas e restos. Não era
importante. Agora, ele passou a ser o motor do futuro.
Estes novos tempos exigem novos conhecimentos, novas
competências e novas lideranças. Quem
não descobrir os caminhos e não se adaptar
rapidamente vai ficar fora da foto.
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Dê a
vida por suas ovelhas
* Por Monsenhor Jonas Abib
Quando dizemos para você dar a vida por suas
ovelhas, claro que se trata de uma metáfora.
A ovelha, neste caso, são aquelas pessoas que
dependem de você e dos seus cuidados. A ovelhinha
não sabe distinguir uma planta boa de uma ruim,
e não sabe voltar para casa até mesmo
quando é deixada ao lado dela. Sua visão
não mostra com amplitude a realidade. Já o
cachorro é diferente. Ele tem instinto e sabe
voltar para casa se é deixado longe. Por isso
Deus nos comparou às ovelhas.
"Que vos parece? Se um homem possui cem ovelhas
e uma delas se extravia, não deixa ele as noventa
e nove nos montes e vai à procura da extraviada?
Se consegue achá-la, em verdade vos digo, terá maior
alegria com ela do que com as noventa e nove que não
se extraviaram. Assim também, não é da
vontade de vosso Pai, que está nos céus,
que um destes pequeninos se perca" (Mateus 18,
12-14).
O papa João Paulo II também recordou
de um episódio do evangelho de João (10,
11) em sua Homilia às Clarissas de Albano: "O
verdadeiro pastor sai em busca da ovelha desgarrada
sem se descuidar das noventa e nove (...). O bom pastor
dá a vida pelas suas ovelhas".
Também Santo Agostinho dizia: "No homem
que erra é preciso repreender unicamente o erro.
O homem, como tal, devemos sempre amá-lo. A
condenação nunca deve ser vingativa e
cruel, porém, temperada pelo sentido da justiça.
Se assim não se agisse, a condenação
seria mais nociva para o errante do que a sua própria
culpa". Reflitam profundamente o sentido dessas
palavras, irmãos, e vamos dar a vidas por nossas
ovelhas. |
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O
que as empresas
querem e do que elas precisam
* Por Rodrigo Oliveira
Toda ação ergonômica deve ser pautada pelo planejamento,
essa é a palavra de ordem do ergonomista que quer oferecer o melhor
para seu cliente. Entretanto, em muitas situações, o tempo
de estruturação não é seguido a contento
e isso gera frustrações em relação trabalho
realizado, principalmente, por não resolver às situações
ergonômicas a que se destinava.
Para atingir ao seu objetivo, uma ação
ergonômica deve ser abordada de forma moderna
e eficiente, partindo, inicialmente, de uma demanda.
Apesar de parecer algo simples, o estabelecimento
dessa demanda nem sempre é fácil e,
muitas vezes, as empresas solicitam a intervenção
profissional sem que ao menos haja um objetivo claro
em mente.
A demanda empresarial pode ser de três aspectos
diferentes: trabalhista, de certificação
e de modernização. A primeira está relacionada
com à Norma Regulamentadora 17 e, em geral,
o que se espera do profissional é o cumprimento
da legislação. As empresas tendem a
pedir ajuda com essa demanda em função
de níveis elevados de absenteísmo,
perda de produtividade, acidentes de trabalho, queixa
dos trabalhadores, entre outros fatores pontuais.
Quando identificada que a demanda da empresa é trabalhista, é comum
a solicitação de uma Análise
Ergonômica do Trabalho (AET) de toda a empresa
ou, pelo menos, das áreas consideradas críticas.
E o trabalho passa a ser pautado sobre essa análise
a fim de adequar as situações ergonômicas à legislação
vigente.
Quando a demanda é por certificação
de produtos e processo, a AET também é realizada,
pois é uma forma de verificar quais são
as mudanças necessárias para conformidade
com as normas em questão. Entre as certificações
estão as ISO 9000 e OHSAS 18001.
Em uma perspectiva de modernização,
a empresa busca fazer a coisa certa desde o início,
ou seja, preocupa-se com o incremento da produtividade,
mas tenta controlar variáveis e constrangimentos
que podem surgir aos sistemas e indivíduos.
Conhecer a empresa, de maneira geral no início
e em detalhes posteriormente, é fundamental
para a formulação de uma ação
ergonômica adequada. Para isso, as visitas
são extremamente necessárias e ajudam
o profissional a estabelecer a demanda daquele cliente
especificamente.
Com a idéia do que a empresa precisa, o ergonomista
agirá então como estrategista, alinhando
os anseios do cliente – demanda inicial – com
a demanda real, formulando hipóteses e estabelecendo,
então, as ações ergonômicas
pertinentes. Seja qual for a demanda, o profissional
precisa estar capacitado para oferecer o necessário
para que a empresa cresça e alcance seus objetivos.
* Especialista em Fisioterapia Traumato/ortopédica
e Osteopatia pelo CBES, especializando do curso
de Ergonomia pela UFPR
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Como
se afastar das drogas
* Por J.Antonio Sespedes
Muito se fala sobre as drogas e do combate a elas,
igualmente daqueles que se tornaram dependentes e
das conseqüências nocivas a eles e à sociedade.
Mas, não nos prenderemos aos efeitos, iremos
diretamente às causas que levam uma criatura
a buscar nas drogas o êxtase de um paraíso
irreal ou uma fuga para seus conflitos íntimos.
Foi comprovado que os motivos que corroem a mente
das pessoas independente de idade, sexo ou classe
social, são ensejos considerados banais e
até infantis quando analisados com mais profundidade.
Assim sendo, os desajustes familiares, os complexos,
a timidez, os medos e as fantasias, incluindo as
de ordem sexuais, borbulham no cérebro do
indivíduo o levando à exaustão.
E é justamente este o ponto crucial! A bifurcação
que aponta a rota de fuga aos que passam por esta
sombria experiência. Rompe-se o elo entre o
mundo real e o fictício, o “alivio” ou
a euforia momentânea criam uma falsa sensação
de liberdade para quem envolto em correntes, acredita
poder voar. É preciso também considerar
que, ao findar o efeito da droga, tudo muda para
pior, pois o desertor encontra a “casa” lesionada.
E desse jeito, os artifícios químicos
vão destruindo quem a eles recorre. Aos que
passam por tratamento de desintoxicação é preciso
paralelamente abrir o arquivo mental até localizar
o início de tudo e descobrir as causas, isto é,
voltar no passado e refletir profundamente sobre
as situações e as atitudes tomadas
a partir delas, quando o entendimento sobre a vida
era restrito, e que no decorrer do tempo se ampliou,
possibilitando o resgate de si mesmo. Os que conseguem,
experimentam o sabor da conquista, reservado aos
autênticos guerreiros que, em silêncio
protagonizam grandes batalhas.
Ao invés de escapar pelo atalho dos alucinógenos, é preciso
enfrentar a situação e ter força
de vontade e dar ouvidos aos que podem ajudar. A
insegurança, os questionamentos e as dúvidas,
nada mais são que, um convite à busca
e a expansão de limites provisórios.
* Autor do livro: Depressão,um beco
com saída
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Peço
desculpas
*Por Frei Betto
Estou gravemente enfermo. Gostaria de manifestar
publicamente minhas escusas a todos que confiaram
cegamente em mim. Acreditaram em meu suposto poder
de multiplicar fortunas. Depositaram em minhas mãos
o fruto de anos de trabalho, as economias familiares,
o capital de seus empreendimentos.Peço desculpas
a quem assiste às suas economias evaporarem
pelas chaminés virtuais das Bolsas de Valores,
bem como àqueles que se encontram asfixiados
pela inadimplência, os juros altos, a escassez
de crédito, a proximidade da recessão.
Sei que nas últimas décadas extrapolei
meus próprios limites. Arvorei-me em rei Midas,
criei em torno de mim uma legião de devotos,
como se eu tivesse poderes divinos. Meus apóstolos
- os economistas neoliberais - saíram pelo
mundo a apregoar que a saúde financeira dos
países estaria tanto melhor quanto mais eles
se ajoelhassem a meus pés. Fiz governos e
opinião pública acreditarem que o meu êxito
seria proporcional à minha liberdade. Desatei-me
das amarras da produção e do Estado,
das leis e da moralidade.
Reduzi todos os valores ao cassino global das Bolsas,
transformei o crédito em produto de consumo,
convenci parcela significativa da humanidade de que
eu seria capaz de operar o milagre de fazer brotar
dinheiro do próprio dinheiro, sem o lastro
de bens e serviços.Abracei a fé de
que, frente às turbulências, eu seria
capaz de me auto-regular, como ocorria à natureza
antes de ter seu equilíbrio afetado pela ação
predatória da chamada civilização.
Tornei-me onipotente, supus-me onisciente, impus-me
ao planeta como onipresente. Globalizei-me. Passei
a jamais fechar os olhos. Se a Bolsa de Tóquio
silenciava à noite, lá estava eu eufórico
na de São Paulo; se a de Nova York encerrava
em baixa, eu me recompensava com a alta de Londres.
Meu pregão em Wall Street fez de sua abertura
uma liturgia televisionada para todo o orbe terrestre.
Transformei-me na cornucópia de cuja boca
muitos acreditavam que haveria sempre de jorrar riqueza
fácil, imediata, abundante. Peço desculpas
por ter enganado a tantos em tão pouco tempo;
em especial aos economistas que muito se esforçaram
para tentar imunizar-me das influências do
Estado. Sei que, agora, suas teorias derretem como
suas ações, e que o estado de depressão
em que vivem se compara ao dos bancos e das grandes
empresas.Peço desculpas por induzir multidões
a acolher, como santificadas, as palavras de meu
sumo pontífice Alan Greenspan, que ocupou
a sé financeira durante dezenove anos.
Admito ter ele incorrido no pecado mortal de manter
os juros baixos, inferiores ao índice da inflação,
por longo período.
Assim, estimulou milhões de usamericanos à busca
de realizarem o sonho da casa própria. Obtiveram
créditos, compraram imóveis e, devido
ao aumento da demanda, elevei os preços e
pressionei a inflação.
Para contê-la, o governo subiu os juros… e
a inadimplência se multiplicou como uma peste,
minando a suposta solidez do sistema bancário.Sofri
um colapso. Os paradigmas que me sustentavam foram
engolidos pela imprevisibilidade do buraco negro
da falta de crédito. A fonte secou.
Com as sandálias da humildade nos pés,
rogo ao Estado que me proteja de uma morte vergonhosa.
Não posso suportar a idéia de que eu,
e não uma revolução de esquerda,
sou o único responsável pela progressiva
estatização do sistema financeiro.
Não posso imaginar-me tutelado pelos governos,
como nos países socialistas. Logo agora que
os Bancos Centrais, uma instituição
pública, ganhavam autonomia em relação
aos governos que os criaram e tomavam assento na
ceia de meus cardeais, o que vejo? Desmorona toda
a cantilena de que fora de mim não há salvação.
Peço desculpas antecipadas pela quebradeira
que se desencadeará neste mundo globalizado.
Adeus ao crédito consignado!
Os juros subirão na proporção
da insegurança generalizada. Fechadas as torneiras
do crédito, o consumidor se armará de
cautelas e as empresas padecerão a sede de
capital; obrigadas a reduzir a produção,
farão o mesmo com o número de trabalhadores.
Países exportadores, como o Brasil, verão
menos clientes do outro lado do balcão; portanto,
trarão menos dinheiro para dentro de seu caixa
e terão que repensar suas políticas
econômicas.Peço desculpas aos contribuintes
dos países ricos que vêem seus impostos
servirem de bóia de salvamento de bancos e
financeiras, fortuna que deveria ser aplicada em
direitos sociais, preservação ambiental
e cultura.
Eu, o mercado, peço desculpas por haver cometido
tantos pecados e, agora, transferir a vocês
o ônus da penitência.
Sei que sou cínico, perverso, ganancioso.
Só me resta suplicar para que o Estado tenha
piedade de mim. Não ouso pedir perdão
a Deus, cujo lugar almejei ocupar. Suponho que, a
esta hora, Ele me olha lá de cima com aquele
mesmo sorriso irônico com que presenciou a
derrocada da torre de Babel.
* Escritor, autor de “Cartas da Prisão” (Agir),
entre outros livros.
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Responsabilidade
compartilhada na
democratização do ensino superior
* Por Custódio Pereira
São preocupantes os dados revelados pelo
primeiro Mapa de Estudos Superiores na América
Latina e no Caribe (Mesalc), produzido e recentemente
divulgado pela Unesco (Organização
das Nações Unidas para a Educação,
a Ciência e a Cultura). O pioneiro estudo diagnostica
a persistência de profundos contrastes e desigualdades.
O Brasil é protagonista de alguns dos paradoxos
constatados: registra a porcentagem mais elevada
de analfabetos dentre todos os países da região,
mas, em contrapartida, é o que mais diploma
pessoas na universidade. Na pós-graduação,
forma onze mil estudantes com grau de doutorado por
ano.
Na área abrangida pelo relatório,
há cerca de nove mil centros de ensino superior,
mas somente 13,8% das universidades têm sistema
de avaliação capaz de garantir a qualidade
do ensino ministrado. A tabulação dos
resultados suscitou a preocupação de
Ana Lúcia Gazzola, diretora do Instituto Internacional
da Unesco para a Educação Superior
na América Latina e no Caribe (Iesalc), responsável
pela realização do estudo. Segundo
ela, o sistema é muito desequilibrado no Continente.
O trabalho baseou-se em informações
consistentes e numa área abrangente. Reuniu
dados e estatísticas de 28 dos 33 países
membros da Unesco na região. Dentre os seus
diagnósticos, destacam-se os seguintes: a
necessidade de aumento da capacidade de acesso à educação
superior e da taxa de cobertura (relação
entre as matrículas no ensino superior e a
população entre 18 e 24 anos); melhoria
da qualidade da educação superior;
necessidade de ampliação dos sistemas
de acreditação e avaliação
do ensino universitário; aumento da produção
científica e disseminação da
produção em diversos países.
Uma das conclusões que mais preocupam é que
apenas 24% da população com idade para
freqüentar o ensino superior estão efetivamente
matriculados. Na Ásia e Europa, o índice
alcança, respectivamente, 68% e 87%. A diferença é muito
grande e pode estabelecer desvantagens competitivas
graves, considerando o significado do ensino superior
para a soberania tecnológica e a capacidade
de pesquisa e inovação das nações,
em especial na América Latina e no Caribe,
onde as universidades contribuem com 85% a 90% da
produção do conhecimento. No Brasil,
89% das pesquisas são feitos nos cursos de
pós-graduação. O restante fica
a cargo do setor privado ou é absorvido pelo
governo.
Assim, é muito preocupante o dado revelado
pelo relatório quanto a uma questão
crucial para o desenvolvimento do ensino superior:
o financiamento. Pois bem, a porcentagem do Produto
Interno Bruto latino-americano aplicada na educação é insuficiente.
O Brasil, por exemplo, desembolsa apenas 0,9% do
PIB com pesquisa e inovação. Estatísticas
da Organização para a Cooperação
e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que congrega
os países mais ricos, mostram que, em relação à sua
região, o Brasil está bem posicionado.
No entanto, quando a comparação é feita
com as nações signatárias desse
organismo e até com outros emergentes, o desempenho
nacional é fraco.
Esse quadro torna premente o advento, no Brasil
e em toda a América Latina e o Caribe, de
uma cultura de doações de recursos às
instituições de ensino, tanto por ex-alunos
como pela sociedade em geral. Trata-se do engajamento
mais amplo e efetivo da Nação numa
causa verdadeiramente condicionante de sua capacidade
de resgatar a dívida social, manter o ritmo
de crescimento econômico e ingressar no universo
dos países do Primeiro Mundo. O inquestionável
laboratório da história já demonstrou
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