PDT está mais próximo
do PT do que do PSDB

Sem querer entrar no mérito se seu irmão disse ou não disse que gostaria de colocar num mesmo palanque, no Paraná, PDT, PSDB e PT, o senador Alvaro Dias descarta qualquer possibilidade de aliança entre tucanos e petistas. Mais do que isso, acredita que o PDT estará mais próximo do PT nas eleições presidenciais do que do PSDB porque, apesar de não mais existir a verticalização, as alianças estaduais serão feitas a partir das alianças nacionais.

-- O grande confronto em 2.010 será entre PSDB e PT e o projeto nacional é que define os palanques nos Estados. Outros projetos podem até ser legítimos, mas decorrem do projeto maior. Alguns líderes tentam inverter o processo, arquitetar esquemas nos Estados sem levar em conta a questão nacional. Os fatos acabam desmentindo as especulações, afirmou o senador.

Alvaro avalia que caberá ao PDT decidir que candidato a presidente quer apoiar. Se do PSDB ou do PT. Particularmente acredita que a preferência será pelo PT uma vez que o PDT integra a base do governo Lula e seu principal dirigente – o ministro do Trabalho, Carlos Lupi – é um “lulista de carteirinha e comanda o partido a lá Brizola”.

Segundo o senador tucano, o PSDB gostaria de ter o PDT na aliança, mas a possibilidade maior de aliança é com o PMDB.

É que, ao contrário do partido de Osmar, que pela primeira vez adere ao governo federal, o partido do governador Roberto Requião esteve ao lado de outros presidentes, inclusive Fernando Henrique Cardoso.

Alvaro acredita que o candidato tucano será o governador de São Paulo, José Serra, que a dois anos das eleições é o franco-favorito à sucessão do presidente Lula, um fato inédito, “e isso pode atrair o PMDB”.

No ninho tucano
O senador Alvaro Dias voltou a descartar qualquer possibilidade de deixar o PSDB.

O assunto voltou à tona com o convite feito pelo deputado Fábio Camargo, na noite de segunda-feira, num jantar em seu escritório político.

-- Não há hipótese de mudança, disse o senador.

Nem mesmo se for aprovado proposta que tramita no Congresso Nacional que abre uma “janela” para que políticos possam mudar de partido sem incorrer em crime de infidelidade partidária.

Irritando Requião
Há quem assegure que o governador Roberto Requião está descontente com alguns aliados que estão antecipando o processo eleitoral de 2.010.

Não pode impedir que partidos adversários se movimentem, mas PMDB e PT não poderiam precipitar o processo sucessório no meio de seu mandato.

O formato de sua sucessão não passa por aí, teria alertado o governador.

PT é aliado
A bancada do PT na Assembléia Legislativa se reuniu na noite de segunda-feira e decidiu que vai permanecer na base de apoio do governo Roberto Requião.

A reunião contou com a participação da presidente estadual do partido, Gleisi Hoffmann, dos deputados federais André Vargas e Assis do Couto, e dos três petistas que integram o governo Requião – Enio Verri, do Planejamento; Ligia Puppato, da Ciência e Tecnologia; e Valter Bianchini, da Agricultura.

Depois de alguns puxões de orelhas, os petistas concluíram que não existe uma crise entre PT e PMDB, e que os debates carregados de acidez são fruto de opiniões pessoais e pontuais.

Para o deputado Tadeu Veneri, o PT não pode ter dois tipos de comportamento – antes e depois das eleições.

-- Passamos dois anos em lua-de-mel com o governo Requião e não é possível que, passadas as eleições, nos lembremos das críticas que o governador já fazia antes das eleições, disse, numa referência à reação da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, às críticas feitas por Requião ao modelo econômico do governo Lula.

O deputado Elton Welter não acredita que o episódio Gleisi Hoffmann seja um “imbróglio” entre PT e PMDB.

-- A política está acima de opiniões pessoais, disse.

Candidato próprio
Na mesma reunião, o PT decidiu que “vai trabalhar” para ter candidato próprio ao governo do Estado e que até junho do ano que vem deve definir o nome que disputará a sucessão do governador Roberto Requião.

Os nomes cogitados são do diretor brasileiro de Itaipu, Jorge Samek e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

-- Vamos embalá-los, disse o deputado Elton Welter, que avalia que apenas um candidato do PT possa ser “alternativa de poder” no Paraná que represente o candidato do partido à sucessão do presidente Lula.

Brocha na mão
O deputado Elton Welter não chega a descartar uma aliança entre o PT e o PDT do senador Osmar Dias.

Mas, pessoalmente, não acredita nesta possibilidade até porque – avalia – o senador Osmar Dias está muito mais próximo do PSDB.

-- Não vamos esperar por isso, ficar contando com esta aliança porque corremos o risco de ficar com a brocha na mão, disse, lembrando que os “adversários do PT no Paraná são o PSDB e os partidos que se aproximam dele”.

Segundo Welter, é mais viável uma aliança com o PMDB, de preferência que o partido do governador Roberto Requião apóie o candidato do PT.

Seria uma forma de retribuir o apoio que o PT deu a eleição e reeleição do governador Roberto Requião, disse.

Os escolhidos do PPS
O PPS de Rubens Bueno já teria indicado seus representantes no novo governo de Beto Richa.

Seria o ex-deputado Marcos Isfer, que iria para Urbs, e o ex-candidato a vereador Hélio Wirbiski, que ocuparia um cargo no gabinete do prefeito.

Há quem diga que as indicações teriam gerado descontentamento no time liderado por Luiz Felipe Haj Mussi.

Janela para infiéis
Em discurso na Câmara Federal nesta terça-feira, o deputado petista André Vargas criticou a possível aprovação do projeto que abre uma janela para que parlamentares troquem de partido em determinado período antes das eleições sem que desrespeitem a ação de infidelidade referendada pelo STF.

Para Vargas, a criação da janela pode ser um reflexo de inaptidão por parte da Câmara, já que estão deixando de lado a discussão de uma reforma política ampla e séria, para discutir um assunto isolado.

Segundo o deputado paranaense, os parlamentares “não podem entrar nessa. Não devem tratar a fidelidade partidária apenas como um arranjo de forças para que as pessoas possam se eleger. Temos que discutir a questão de forma séria”.

Quarentena para os infiéis
O secretário-geral do PMDB paranaense, João Arruda, está propondo que a sociedade e o Congresso Nacional invertam a discussão sobre a adoção de uma janela de 30 dias para que os políticos possam trocar de partido. No lugar do "jeitinho" para facilitar a vida dos infiéis, propõe uma espécie de quarentena para quem trocar de legenda no exercício de mandato eletivo.
-- Eu proponho que a sociedade discuta uma quarentena para os políticos infiéis. Funcionaria assim: elegeu-se por um determinado partido tem que concluir o mandato; trocou de partido no exercício do cargo eletivo deixa de disputar ao menos uma eleição, defendeu.

Aberração política
Para João Arruda a possibilidade da criação de uma janela de 30 dias para os infiéis trocarem de partido é uma “aberração política”, que deve ser combatida.

-- Os partidos não podem patrocinar o vale-tudo proporcionado pelo troca-troca partidário, criticou.

Anistia a servidores
O governador Roberto Requião encaminhou à Assembléia Legislativa uma mensagem propondo a concessão de anistia a servidores públicos que foram exonerados ou demitidos (“com violação de dispositivo constitucional e legal”) em decorrência de movimentação grevista no período compreendido entre 1º de janeiro de 1983 a 31 de dezembro de 1988 (governos José Richa e Alvaro Dias).

De acordo com a mensagem, o termo “anistia significa o perdão concedido aos que foram injustamente considerados culpados por delitos, especialmente de caráter político, para que cessem as sanções contra eles e se ponha um silêncio definitivo ao acontecimento visto como fora das normas uma vez comprovado que sofreram abusos de autoridades, assim como arbitrariedades”.

Segundo o governador, a proposta busca “minimizar os constrangimentos sofridos por servidores estaduais por terem sido demitidos ou exonerados, contrariando os preceitos constitucionais e terem sido privados dos seus cargos e empregos”.