PTB fulmina factóide de
Fábio Camargo com Alvaro Dias

Faz tempo que o deputado Fábio Camargo, do PTB, não acerta uma. Nas eleições para prefeito de Curitiba começou com 4% das intenções de voto. Acabou fazendo 0,53% dos votos válidos (5.366 votos), mal o suficiente para eleger um vereador.
Depois de um fiasco desses seria de esperar que Camargo tivesse um acesso de humildade e se recolhesse para um período de meditação para entender as razões de tamanho desastre político. Camargo fez o contrário. Passou a produzir freneticamente factóides.

O primeiro deles foi uma esquisita denúncia sobre grampos telefônicos. Será que alguém teria grampeado o deputado para descobrir suas geniais estratégias políticas? Ou será que ele tem outro tipo de atividade que despertou a curiosidade?
Quando o factóide dos grampos se esgotou, Fábio Camargo partiu para outro. Convidou o senador Alvaro Dias, que, todos sabem, sonha ser candidato ao governo do Estado em 2010, mas anda sem espaço no PSDB, a migrar para o PTB.
A idéia era posar de grande estrategista político e embolar o meio de campo da sucessão estadual, que já está bastante confuso. Só que desta vez o factóide de Fábio Camargo deu xabu.

A executiva estadual do PTB, comandada pelo deputado federal Alex Canziani, não gostou da iniciativa e deixou claro que Fábio Camargo não tem autoridade alguma para formular convites a quem quer que seja.

Numa das notas mais duras e desmoralizantes da história política do Paraná, colocou Fábio Camargo no seu devido lugar. Começou dizendo que a performance eleitoral do ex-candidato a prefeito não o credencia a vôos mais altos:
“Após sua vexatória votação na eleição para prefeito de Curitiba, e pela não-eleição de nenhum vereador do partido na capital do Estado, melhor é o deputado estadual Fábio Camargo se preocupar com a própria reeleição à Assembléia Legislativa, que corre sérios riscos, do que com questões envolvendo filiações no PTB”.
Finalmente, fulminou qualquer pretensão do deputado de influir em decisões de alto bordo do partido lembrando que a legenda possui uma hierarquia:
“Qualquer assunto relativo a filiações petebistas visando as eleições gerais de 2010 passará pelo âmbito da Executiva Estadual do partido – da qual o citado deputado Fábio Camargo não faz parte”.


Osmar corre contra o tempo.
O tempo corre a favor de Beto

Em 2006, o senador Osmar Dias fez o maior charme para dizer se era ou não candidato. Sempre tinha um novo exame médico para fazer, alguma astróloga para consultar, tinha de ver se as conjunções astrais eram favoráveis, enfim, tudo era pretexto para adiar a decisão e manter o suspense.

Agora a situação mudou. Com dois anos de antecedência, Osmar não perde uma única oportunidade para dizer e insistir que é candidato. Seus problemas de saúde acabaram e ele, ao que parece, não acredita mais nem em astrologia nem em cartomantes.

O que mudou em relação a 2006 foi que o capital político de Osmar está em maré vazante. Naquele ano, a oposição não dispunha de outro nome forte para enfrentar Requião.

Em 2010, quando Requião não estará mais no páreo, já existem três nomes fortes para disputar a sucessão. Curiosamente são do mesmo bloco político. O próprio Osmar, seu irmão, Alvaro Dias, e a estrela em ascensão da política paranaense Beto Richa.

Beto vive uma situação oposta a de Osmar. Ao contrário do senador, que demonstra um certo desespero em afirmar sua candidatura e em tentar amarrar alianças, Beto pode se manter distante das articulações políticas.

Sabe que, se decidir ser candidato ao governo em 2010, vai ser e terá todo o apoio que precisa. Pode assistir de camarote os irmãos Dias quebrando lanças e se digladiando para ocupar espaços.

A situação é extremamente favorável para Beto. O PT, destroçado nas últimas eleições, não tem um único nome viável. Nem para competir e sequer para fazer boa figura.

O PMDB também não produziu uma liderança capaz de ocupar o espaço de Requião. A legenda gravita em torno da figura do governador e vai escolher o nome ou a aliança que ele indicar.