A última
do Zé Dirceu
Zé Dirceu já foi levado a sério.
Ultimamente está, cada vez mais, se transformando
numa figura cômica. Agora escreve uma nota
em seu blog com o título: “Campanha
de R$ 7 milhões reelegeu Beto Richa”.
O objetivo, como se deduz, é denunciar abuso
do poder econômico.
Com seu estilo peculiar, cheio de pontos de exclamação
infantis, ele sapeca: “Nada menos que R$ 6,89
milhões (!!!) foram gastos na campanha que
reelegeu, logo no 1º turno, o tucano Beto Richa
para a prefeitura de Curitiba. O prefeito curitibano
se reelegeu com 778.514 votos, o equivalente a 77%
dos sufrágios válidos, o que, pelas
contas, publicadas no Estadão (edição
de 05.11) equivale a um gasto R$ 8,85 por voto”.
Tudo isso poderia servir como ponto de partida
para um questionamento sobre gastos de campanha.
Os do PSDB seriam dispendiosos. Os do PT, frugais.
O problema é que foram divulgados os gastos
da campanha petista, Gleisi Hoffmann, na mesma campanha.
Foram gastos R$ 6,51 milhões.
Ou seja, a candidata do PT gastou apenas R$ 388
mil a menos que o candidato do PSDB. Mais, se Dirceu
se diz indignado com o fato de Beto Richa ter gasto
R$ 8,85 por voto, imaginem o que ele deveria dizer
- se estivesse falando sério - com o custo
de cada voto obtido por Gleisi. Foram gastos R$ 35,59
por voto.
O chefe
Em seu tom de moralista indignado, Zé Dirceu questiona os doadores
da campanha tucana:
“Para que vocês tenham idéia,
leitores, R$ 4,5 milhões - mais da metade
dos gastos - vieram de pessoas jurídicas e
o nome das empresas ainda é mistério.
Outros R$ 777,4 mil foram doados por pessoas físicas
e mais R$ 1,5 milhão saiu dos bolsos do próprio
Beto Richa”.
O perfil dos doadores dos dois candidatos é em
tudo semelhante. Grandes empresas, poderosos empresários,
pessoas jurídicas e pessoas físicas.
Alguns deles doaram para a campanha de Beto e para
a campanha de Gleisi.
O que existe de fundamentalmente ridículo
nesse episódio todo é um sujeito que
foi chamado, pelo procurador geral da República,
Antonio Fernando de Souza, de “chefe da quadrilha
do mensalão”, tenha o desplante de posar
de crítico dos costumes. Vale lembrar que
um dos principais motores do mensalão era
justamente o financiamento de campanhas patrocinadas
ou apoiadas pelo PT.
Tristeza do Jeca
Uma mágoa transborda dos cumprimentos trôpegos de Lula a Obama: “Não é pouca
coisa eleger um negro”.
No fundo sabe que é muito mais exótico
um negro presidente dos Estados Unidos que um ex-metalúrgico
no Brasil.
Para um narcisista como Lula a eleição
de Obama e um golpe em seu ego monumental.
Essa eleição o joga para a periferia
das excentricidades políticas. Ao lado de
figuras patéticas como o bufão Hugo
Chávez, o índio e escola de samba Evo
Morales e o bispo melancia Fernando Lugo.
Frase
A música de Lobão não chega a ser empolgante. Mas
o homem tem frases interessantes. Confira:
- “Eu acho o Chico Buarque um horror,
um equívoco, um chato, um parnasiano.
O Olavo Bilac é muito mais moderno
que ele. Ele faz uma música anêmica,
sem energia, sem vivacidade, parece que precisa
tomar soro”.
|