Pá de cal

A decisão de Rubens Bueno, do PPS, que nas eleições de 2004 obteve 20% dos votos curitibanos, de desistir de sua candidatura e apoiar Beto Richa, do PSDB, foi mortal.

Representou uma espécie de pá de cal para a estratégia petista de estimular um grande número de candidaturas para forçar a decisão da eleição para prefeito de Curitiba ir para o segundo turno.

Com a adesão de Bueno e a desistência de outros candidatos bons de voto a eleição deve ser decidida já no primeiro turno. As possibilidades de Gleisi Hoffmann, nesse cenário adverso, de reverter o favoritismo de Beto Richa se tornam muito, mas muito, remotas.

O desespero dentro das fileiras do PT, onde Gleisi, sequer conseguiu unir as diversas alas do partido, corre solto.

Maldade
Um analista político, com especialização em marketing eletrônico, avalia que a Justiça Eleitoral acabou fazendo um favor a Gleisi Hoffmann ao retirar suas propagandas do ar.
O material, que teria sido produzido sob a batuta de João Santana, marqueteiro baiano de Lula, que não entende nada de Curitiba, tinha um traço definidor, avalia esse expert:
- Eram todas muito ruins.

Gnomo
A eleição deste ano não vai ser a mesma coisa. Mello Viana, o Gnomo Natureba, anuncia que não vai mais ser candidato.
Mello Viana havia se transformado numa espécie de Jamil (“chega dos mesmos”) Nakad ambientalista, com aqueles discursos soturnos e aquele apelo subjacente ao arrependimento.
Sem o Gnomo, que também tem um jeitão meio Mangabeira Unger, sem sotaque, a campanha vai perder alguma coisa.

Bolsa eleição
O bolsa família vai ter um reajuste de 10% antes das eleições. O reajuste representa mais do dobro da inflação oficial registrada entre o último reajuste (que foi de 18%).
Em um país sério nenhum governo se atreveria a fazer algo do gênero. No Brasil a oposição acadelada não deve sequer se atrever a reclamar diante de uma medida tão obviamente eleitoreira.

Muy amigo
Tem gente estranhando as defesas que Lula tem feito de Dilma Rousseff, enrolada como Mãe do Dossiê e, agora, da negociata da Varig. O Ignóbil nunca foi de defender ninguém. Entregou, sem hesitar um minuto, as cabeças de gente com quem tinha um relacionamento muito mais antigo e profundo do que tem Dilma Rousseff. O que existe por trás desse súbito acesso de lealdade que parece estar acometendo Lula? César Maia mata a charada:
“ Esse é um velho truque. Quando um culpado ao defender um acusado, repete o nome deste para as pessoas gravarem, o que está fazendo é tentar escapar e empurrar a culpa para aquele. Leia abaixo a declaração de Lula ao Jornal Nacional. Espertinho não é? O nome de Dilma aparece 3 vezes: uma com o locutor e duas com Lula.

- Em São Paulo, o presidente Lula defendeu a ministra Dilma Rousseff. "Eu acho abominável e a história haverá de fazer o julgamento. As pessoas que estão fazendo ilações contra a ministra Dilma são pessoas que não têm sequer autoridade moral e ética de fazer ilações sobre a ministra Dilma", declarou o presidente Lula”.

O bode
O caso da negociata em torno da Varig é complexo para Lula. Ele envolve o compadre Roberto Teixeira, que hospedou o Apedeuta durante dez anos de graça. Se tiver de sacrificar Dilma como bode expiatório, ninguém tenha dúvidas, ele o fará.